Um pequeno presente para todos aqueles que acreditam na simplicidade das coisas, na simplicidade da vida e na vida feita de simplicidades! É, sem dúvida, um dos meus poemas preferidos e que retrata a minha maneira de estar na vida neste momento. Louvado sejas, Pessoa, que nos deixaste uma imensidão de verdades! Muitas delas tão complexas por serem demasiado simples!
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos
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